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Análogos de GLP-1 podem causar queda de cabelo? O que a ciência sabe até o momento

  • Dra Fabiola Bordin
  • 14 de jun.
  • 4 min de leitura

Medicamentos como semaglutida e tirzepatida revolucionaram o tratamento da obesidade e do sobrepeso. Com a popularização dessas medicações, uma dúvida passou a surgir com frequência nos consultórios: os análogos de GLP-1 podem causar queda de cabelo?

A resposta não é tão simples quanto parece.

Embora alguns pacientes relatem aumento da queda capilar durante o tratamento, as evidências científicas atuais sugerem que o problema pode estar mais relacionado ao processo de perda de peso do que a um efeito tóxico direto da medicação sobre os fios.


Os análogos de GLP-1 causam queda de cabelo?

Até o momento, não existem evidências científicas consistentes de que essas medicações provoquem dano direto ao folículo piloso.

No entanto, alguns estudos clínicos observaram relatos de queda capilar em parte dos pacientes durante o tratamento. Isso levou pesquisadores a investigar se a perda de cabelo estaria relacionada à medicação ou às alterações metabólicas associadas ao emagrecimento.

A hipótese mais aceita atualmente é que a queda esteja relacionada principalmente à perda de peso rápida e às adaptações fisiológicas que ocorrem durante esse processo.


O que é o eflúvio telógeno?

O eflúvio telógeno é uma das causas mais comuns de queda de cabelo difusa.

Nessa condição, um número maior de fios entra precocemente na fase de queda do ciclo capilar. Como consequência, o paciente percebe aumento da quantidade de fios no travesseiro, durante o banho ou ao pentear os cabelos.

Diversos fatores podem desencadear esse processo, incluindo:

  • Perda de peso rápida

  • Dietas muito restritivas

  • Deficiências nutricionais

  • Cirurgias bariátricas

  • Doenças agudas

  • Estresse físico ou emocional

Por esse motivo, pacientes que perdem peso rapidamente podem apresentar queda de cabelo independentemente do método utilizado para emagrecer.


A perda de peso pode ser a verdadeira responsável?

Essa é atualmente uma das principais hipóteses.

Quando ocorre uma redução importante do peso corporal em um curto período de tempo, o organismo passa por diversas adaptações metabólicas. Em alguns indivíduos, esse processo pode desencadear um eflúvio telógeno temporário.

Fenômeno semelhante também é observado após dietas restritivas, cirurgias bariátricas e outras estratégias de emagrecimento.

Por isso, quando a queda ocorre após o início de uma medicação para perda de peso, nem sempre significa que o medicamento seja o responsável direto pelo problema.


Toda queda de cabelo durante o tratamento é causada pelo medicamento?

Não.

A avaliação dermatológica é importante porque existem diversas causas de queda capilar que podem ocorrer simultaneamente.

Entre elas estão:

  • Deficiência de ferro

  • Deficiência de vitamina D

  • Deficiência proteica

  • Alterações hormonais

  • Alopecia androgenética

  • Doenças da tireoide

Por esse motivo, a investigação deve ser individualizada.

A queda é permanente?

Na maioria dos casos relacionados ao eflúvio telógeno, a queda tende a ser temporária.

Após a estabilização do organismo e a correção de possíveis deficiências nutricionais, os fios geralmente voltam gradualmente ao seu ciclo normal de crescimento.

Entretanto, cada paciente deve ser avaliado individualmente para identificar fatores adicionais que possam estar contribuindo para o quadro.


Nem toda recuperação acontece de forma espontânea

Embora o eflúvio telógeno associado à perda de peso seja geralmente temporário, nem todos os pacientes recuperam completamente a densidade capilar de forma espontânea.

Isso acontece porque algumas pessoas já apresentam doenças do couro cabeludo antes mesmo do início da queda. Muitas vezes, essas condições permanecem silenciosas durante anos e só se tornam perceptíveis após um evento desencadeante, como emagrecimento importante.

A alopecia androgenética é um dos exemplos mais comuns.

Nesses casos, a queda desencadeada pelo emagrecimento pode funcionar como um fator que revela uma doença capilar que já existia, mas ainda não havia sido percebida pelo paciente.

Na prática clínica, não é raro que pacientes descubram uma alopecia androgenética somente após um episódio de queda intensa dos cabelos.

Quando existe uma condição de base, a recuperação nem sempre ocorre apenas com o passar do tempo. Alguns pacientes podem necessitar de tratamentos específicos, incluindo medicamentos orais, terapias tópicas e procedimentos realizados em consultório.

Por esse motivo, a consulta dermatológica é fundamental. Identificar precocemente uma doença do couro cabeludo permite iniciar o tratamento adequado e aumenta as chances de preservar os fios existentes.

Pacientes que já possuem diagnóstico de alopecia androgenética ou outra doença capilar não devem esperar que a queda se resolva sozinha. Quanto mais precoce for o tratamento, maiores tendem a ser as chances de controlar a progressão da perda capilar e obter melhores resultados.


O que fazer se notar queda de cabelo durante o uso de semaglutida ou tirzepatida?

Se você perceber aumento da queda capilar durante o tratamento, procure avaliação médica.

A identificação precoce de deficiências nutricionais, alterações hormonais ou doenças do couro cabeludo permite um tratamento mais adequado e pode evitar perda adicional de fios.

Quanto mais cedo a causa for identificada, maiores costumam ser as chances de recuperação capilar.


Conclusão

As evidências científicas disponíveis até o momento não demonstram que os análogos de GLP-1 provoquem dano direto ao folículo piloso. A queda de cabelo observada em alguns pacientes parece estar mais relacionada ao emagrecimento acelerado, às adaptações metabólicas e ao eflúvio telógeno do que a um efeito específico da medicação.

No entanto, a queda capilar não deve ser ignorada. Em alguns casos, ela pode revelar doenças previamente não diagnosticadas, como a alopecia androgenética. Por isso, a avaliação dermatológica continua sendo fundamental para determinar a causa da queda, identificar possíveis condições associadas e orientar o tratamento mais adequado para cada paciente.

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