Melasma piora com o calor?
- Dra Fabiola Bordin
- 14 de jun.
- 4 min de leitura
Uma dúvida muito comum no consultório é: afinal, o calor pode piorar o melasma?
Durante muito tempo, acreditava-se que o principal responsável pelo agravamento do melasma era apenas a radiação ultravioleta emitida pelo sol. Hoje sabemos que a história é mais complexa. Além da radiação ultravioleta, fatores como luz visível, radiação infravermelha (que também são raios emitidos pelo sol) e aumento da temperatura da pele também parecem participar desse processo.
Neste artigo, vou explicar o que os estudos científicos mostram sobre a relação entre calor e melasma.
O que é o melasma?
O melasma é uma alteração de pele caracterizada pelo surgimento de manchas acastanhadas, geralmente na face. As áreas mais frequentemente afetadas são testa, bochechas, nariz e buço.
Apesar de ser mais comum em mulheres, o melasma também pode ocorrer em homens.
Sua origem é multifatorial e envolve predisposição genética, influência hormonal, exposição solar e fatores ambientais que estimulam a produção de melanina.
O calor pode realmente piorar o melasma?
As evidências científicas atuais sugerem que sim.
Estudos experimentais demonstraram que o aumento da temperatura da pele pode estimular mecanismos biológicos relacionados à produção de melanina. Além disso, o calor pode favorecer a liberação de mediadores inflamatórios que participam do processo de pigmentação.
Em outras palavras, a pele não responde apenas à luz solar. Ela também responde ao aumento da temperatura.
Por esse motivo, muitos pesquisadores acreditam que o calor pode contribuir para o agravamento do melasma em pessoas predispostas.
Como o calor pode influenciar a pigmentação?
A pele possui mecanismos capazes de detectar mudanças de temperatura.
Quando ocorre aquecimento da pele, determinadas vias celulares podem ser ativadas. Alguns estudos mostram que esse processo pode aumentar a atividade dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina.
Além disso, o calor pode estimular a liberação de substâncias inflamatórias que favorecem o escurecimento das manchas.
Embora ainda existam aspectos que precisam ser melhor compreendidos, a participação do calor na pigmentação cutânea é hoje reconhecida pela literatura científica.
O infravermelho do sol é o principal responsável?
A radiação infravermelha faz parte da energia emitida pelo sol e é uma importante fonte de aquecimento da pele.
Diversos estudos sugerem que a radiação infravermelha pode contribuir para processos inflamatórios e para alterações relacionadas ao envelhecimento e à pigmentação cutânea.
No entanto, ainda não está completamente esclarecido se o efeito observado ocorre exclusivamente por causa da radiação infravermelha ou se o aumento da temperatura da pele também desempenha um papel independente.
Essa é uma área que continua sendo estudada.
Qualquer fonte de calor piora o melasma?
Essa é uma pergunta importante.
Atualmente, não existem evidências suficientes para afirmar que todas as fontes de calor exercem exatamente o mesmo efeito observado com a exposição solar.
O que sabemos é que o aumento da temperatura da pele pode participar dos mecanismos envolvidos na pigmentação.
Entretanto, ainda não está totalmente definido se o calor gerado por diferentes fontes, como ambientes quentes, secadores, fornos ou saunas, possui o mesmo impacto biológico da exposição ao sol.
Por isso, é importante evitar conclusões simplistas. Por isso, eu não contraindico o uso de secadores e nem afasto meus pacientes da cozinha por terem melasma... a vida já é chata para quem tem melasma, não precisamos complicar mais com situaçoes sem comprovação científica.
Por que o melasma costuma piorar no verão?
O verão reúne vários fatores que favorecem o escurecimento das manchas.
Entre eles estão:
Maior exposição à radiação ultravioleta
Maior exposição à luz visível
Maior exposição à radiação infravermelha
Aumento da temperatura da pele
Maior tempo ao ar livre
E soma-se a isso: nenhum protetor solar protege a pele 100% do sol, principalmente do calor.
Provavelmente, a piora observada nessa época do ano não acontece por um único motivo, mas pela combinação de todos esses fatores.
Como proteger a pele?
Como nenhum protetor solar protege a pele 100%, precisamos de outras ajudas:
Evitar exposição solar em horários de calor intenso.
Usar chapéu, vieira, óculos escuros.
Fazer uso de antioxidantes orais.
Conclusão
As evidências científicas atuais sugerem que o calor pode participar dos mecanismos envolvidos na piora do melasma. O aumento da temperatura da pele pode estimular vias relacionadas à produção de melanina e favorecer processos inflamatórios associados à pigmentação.
No entanto, a ciência ainda não permite afirmar que todas as fontes de calor tenham exatamente o mesmo efeito observado com a exposição solar.
O que sabemos hoje é que o melasma é uma condição complexa, influenciada por diversos fatores ambientais e biológicos. Por isso, a melhor estratégia continua sendo uma combinação de fotoproteção adequada, cuidados diários e tratamento individualizado orientado por um dermatologista.
Sobre a Dra. Fabiola Bordin
A Dra. Fabiola Bordin é médica dermatologista no Rio de Janeiro, com especial interesse no tratamento do melasma, envelhecimento da pele e prevenção do fotoenvelhecimento. É autora do livro Melasma Sem Mistérios, obra desenvolvida para ajudar pacientes a compreenderem melhor as causas, os fatores desencadeantes e as opções de tratamento dessa condição. Também escreveu o pioneiro livrro "Os Segredos da proteção Solar".
Acredita que a informação de qualidade é uma das ferramentas mais importantes no cuidado com a pele. Por isso, compartilha conteúdos baseados em evidências científicas, traduzindo o conhecimento médico de forma clara e acessível.
Em sua prática clínica, busca oferecer tratamentos individualizados, fundamentados na ciência e voltados para resultados naturais, respeitando as características e necessidades de cada paciente.
Neste blog, você encontrará informações atualizadas sobre melasma, manchas na pele, proteção solar, envelhecimento cutâneo e os principais tratamentos dermatológicos disponíveis atualmente.




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