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Melasma: causas, sintomas e tratamentos

No caderno Ela, do O Globo, respondi às principais dúvidas sobre o melasma: por que ele volta, como diferenciá-lo de outras manchas e o que realmente funciona.

Dra. Fabiola BordinPor Dra. Fabiola Bordin, dermatologista · CRM-RJ 52-86533-8 · RQE 19325

Card da reportagem em O Globo · Ela com a Dra. Fabiola Bordin

O caderno Ela, do O Globo, publicou uma reportagem sobre o melasma, condição que atinge muitas famosas, e me convidou para esclarecer as principais dúvidas sobre o tema.

O primeiro ponto é entender que o melasma é uma doença inflamatória da pele, e não apenas uma mancha de sol ou de hormônio. Além do excesso de pigmento, há mais vasos, um colágeno mais envelhecido e mais substâncias inflamatórias na pele. Por isso não basta clarear: se a inflamação não for tratada, a mancha tende a voltar. A antiga divisão entre melasma superficial e profundo também pesa menos hoje, porque a doença tende a atingir todas as camadas da pele.

O sol é o principal gatilho para o surgimento e a piora das manchas. Os hormônios femininos também favorecem a pigmentação, o que explica a relação com a gravidez, o anticoncepcional e a reposição hormonal. Mas homens também têm melasma, em geral os que se expõem muito ao sol, como atletas e corredores. Estresse, calor e insônia completam a lista de fatores que agravam o quadro.

O diagnóstico é feito na consulta, sem necessidade de biópsia. Costumo fotografar a pele com softwares que mostram a extensão real da mancha, muitas vezes maior do que se vê a olho nu. E não é raro descobrir que a mancha não é melasma, como no nevo de Hori, uma mancha de nascença que se torna mais visível por volta dos 30 anos. A experiência faz diferença nessa distinção.

Como é uma doença crônica e multifatorial, não existe um único remédio. O tratamento é feito o ano todo, mais intenso nas fases de piora e mais leve na manutenção, e combina clareadores, anti-inflamatórios como a niacinamida e o ácido tranexâmico, antioxidantes e, às vezes, medicação oral. No consultório, entram o laser picossegundo, como o TORO, a radiofrequência microagulhada, como o Virtue RF, e a aplicação de medicamentos por eletroporação, que ajudam a clarear e a controlar a inflamação.

Na reportagem, também desfiz alguns mitos. Quem tem melasma pode, sim, fazer laser, desde que com a tecnologia certa e um bom profissional. O melasma não é exclusivo das mulheres e nem sempre piora depois da gestação. E, quando bem tratado, as manchas podem clarear e diminuir de tamanho. Já o protetor com cor é verdade: a cor protege da luz visível do sol, e pode vir do próprio protetor ou da maquiagem aplicada por cima dele.

No dia a dia, o protetor solar deve ser usado todos os dias, mesmo com tempo nublado e dentro de casa, com o reforço de chapéu, boné e óculos escuros. Bronzear o corpo e fazer depilação com cera no rosto também pioram as manchas.

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