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Minha história com o melasma?

Sou dermatologista e tenho melasma. E talvez seja por isso que escuto com frequência no consultório:
“Que bom saber que você também tem.”

Ele pode não estar perceptível nos meus vídeos e fotos. Mas todas as manhãs que acordo e olho para o espelho: ele está lá.

Quando a primeira mancha ficou aparente na região da bochecha não acreditei. Já estudava muito sobre o assunto e tratava muitos pacientes com melasma. No ano de 2009 eu tratei 347 pacientes de melasma com laser em 6 meses. Fora todos os outros pacientes que não tinham indicação de fazer o procedimento naquele momento. O volume grande destes pacientes fazia eu ter que estudar muito para estar atualizada nos tratamentos.

Mas quando vi minha primeira mancha, o interesse pelo assunto tornou-se pessoal também.

Isso tudo me levou a escrever o primeiro livro do Brasil sobre melasma para publico leigo, pacientes, para que pudessem entender mais sobre esta doença de pele. Ele chama-se Melasma Sem Mistérios.

O que eu desejo no tratamento dos meus pacientes é o mesmo que desejo para mim: manchas poucos visíveis e menores.

Veja o vídeo abaixo em que falo um pouco sobre este assunto. Logo abaixo do vídeo, explico as duvidas mais comuns (causa, tipos, tratamento) a respeito desta doença de pele. 

O que é melasma?

O melasma é uma doença crônica da pele que causa manchas escuras, principalmente no rosto (também pode existir no colo e braços), e está relacionado a um processo inflamatório complexo. Diferente do que muitos pensam, ele não é apenas um excesso de pigmento, mas é um processo inflamatório mais profundo, que envolve alterações na estrutura da pele, vasos sanguíneos e produção de melanina. Seu surgimento envolve fatores como exposição solar, predisposição genética e influência hormonal. Por isso, o tratamento mais eficaz não é único: exige uma abordagem contínua e combinada, atuando não só na pigmentação, mas também na inflamação e no envelhecimento da pele.

Quem tem mais risco de ter melasma?

O melasma pode surgir em qualquer pessoa, mas é mais comum em alguns perfis específicos.

Mulheres são as mais afetadas, representando cerca de 70 a 90% dos casos. A condição também é mais frequente em pessoas com tons de pele mais escuros ou que se bronzeiam com facilidade.

Além disso, há uma forte influência genética: muitas pessoas com melasma relatam histórico familiar da condição.

O melasma costuma aparecer com maior frequência a partir dos 25 a 30 anos e está associado a fatores como exposição solar, alterações hormonais (como gravidez e uso de anticoncepcionais) e processos inflamatórios na pele.

Pessoas que vivem em regiões com alta incidência solar, como o Brasil, também apresentam maior risco de desenvolver a condição.

Quanto aos homens, é nítido que a grande maioria deles já pegaram muito sol ( muito frequente em jogadores de futebol, por exemplo).

Causas de melasma e fatores que pioram as manchas
 

O melasma surge a partir da interação de diferentes fatores que estimulam a produção de pigmento e a inflamação da pele.

A exposição solar é o principal fator desencadeante. A radiação ultravioleta, a luz visível e o calor do sol estimulam diretamente os melanócitos, aumentando a produção de melanina e contribuindo para o surgimento e a piora das manchas.

Além do sol, os hormônios exercem um papel importante. Gravidez, uso de anticoncepcionais e terapia de reposição hormonal estão entre os gatilhos mais frequentes do melasma.

Existe também uma predisposição genética, o que explica por que algumas pessoas desenvolvem melasma com mais facilidade, mesmo com exposições semelhantes.

No entanto, o melasma vai além desses fatores mais conhecidos. Hoje sabemos que outros elementos, menos discutidos, também podem influenciar o aparecimento e a resistência das manchas.

O estresse, por exemplo, pode aumentar a produção de substâncias inflamatórias e hormônios que estimulam a pigmentação da pele.

Alterações metabólicas, como resistência à insulina, podem estar associadas a quadros mais resistentes ao tratamento.

O consumo de álcool também tem sido relacionado ao melasma em estudos recentes, possivelmente por seu impacto no metabolismo hepático e nos processos inflamatórios do organismo.

Alguns medicamentos, especialmente aqueles com potencial fotossensibilizante ou influência hormonal, podem desencadear ou agravar o quadro.

Esses fatores não atuam isoladamente, mas modulam a atividade do melasma, influenciando sua intensidade, recorrência e resposta ao tratamento.

Por isso, entender essas diferentes influências é fundamental para um controle mais eficaz e individualizado da doença.

Tipos de melasma
 

O melasma pode ser classificado de acordo com a profundidade do pigmento na pele. Ele pode ser epidérmico (mais superficial), dérmico (mais profundo) ou misto, que é o mais comum.

Na prática, essa classificação tem importância limitada, já que a maioria dos casos envolve pigmento em diferentes camadas da pele.

Por isso, o tratamento não deve se basear apenas no “tipo” de melasma, mas sim na avaliação individual de cada paciente.

Diagnóstico do melasma
 

O diagnóstico do melasma é clínico, ou seja, feito a partir da avaliação da pele durante a consulta dermatológica, associado à dermatoscopia e fotografias.

É importante destacar que nem toda mancha no rosto é melasma. Outras condições que podem ter aparência semelhante, como hiperpigmentação pós-inflamatória, líquen plano pigmentoso, poiquilodermia de Civatte e melanose de Riehl exigem abordagens diferentes.

Por isso, a avaliação médica é fundamental para um diagnóstico correto e para definir o tratamento.

Tratamento do melasma
 

Sempre falo que o tratamento do melasma envolve melhorar três pilares principais: pigmentação, inflamação e envelhecimento da pele.

A fotoproteção diária é a base: FPS maior ou igual a 50 e cor - que pode ser com uma base ou protetor com cor.

Ativos tópicos devem incluir: antioxidantes, anti-inflamatórios e clareadores.

Antioxidantes orais devem ser tomados diariamente também, pela manhã.

O uso de tecnologias de laser é cada vez mais frequente, principalmente em casos de mais difícil clareamento, pigmento mais profundo e grande inflamação com vasos - situações que não melhoram muito com cremes. Além disso, a tecnologia é capaz de tratar o envelhecimento na pele, ou seja, age nos 3 pilares. Atualmente, as tecnologias mais utilizadas são: laser de picossegundos (SmartPico), Laser 675 nm (Redtouch), radiofrequencia microagulhada (Virtue RF) e drug delivery com eletroporação (MesojectGun).

“No melasma, não é um tratamento que faz diferença — é a estratégia como um todo.”

Melasma tem cura?
 

Infelizmente ainda não. Digo ainda, pois acredito que estamos perto de surgirem tratamentos e cremes com ação imunomoduladora (que vão diminuir realmente o processo inflamatório da pele) e com isso diminuir a formação de vasos e pigmento.

Isso não significa que o tratamento não funciona. Pelo contrário: quando bem conduzido, é possível clarear significativamente as manchas e manter a pele mais uniforme por longos períodos (sou exemplo disso).

O ponto mais importante é entender que o controle do melasma depende de constância — principalmente em relação à fotoproteção e aos cuidados diários com a pele.

O que não te contam sobre o melasma
 

Existem alguns pontos sobre o melasma que raramente são explicados.

O primeiro é que tratar apenas o pigmento, sem controlar a inflamação, tende a gerar resultados limitados ou temporários.

Outro ponto importante é que pequenos hábitos do dia a dia têm um impacto muito grande no clareamento da mancha. Uso incorreto de protetor solar, exposição ao calor e até fatores como estresse e sono inadequado podem piorar o melasma.

Além disso, o melasma não piora de um dia para o outro, ele responde a estímulos acumulados ao longo do tempo. Por isso, muitas vezes a piora não está ligada a um único fator, mas a uma soma de pequenos erros na rotina.

Também é importante entender que tratamentos muito agressivos nem sempre são melhores. Em muitos casos, podem aumentar a inflamação da pele e dificultar o controle do melasma.

Por fim, um dos pontos mais importantes: consistência costuma ser mais eficaz do que intensidade. No melasma, resultados duradouros estão muito mais relacionados à regularidade dos cuidados do que a intervenções pontuais.

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